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	<title>Contraplatitude</title>
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	<description>Literatura e outros temas culturais</description>
	<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 00:32:56 +0000</pubDate>
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		<title>Para amantes da Ópera</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 07:17:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu sei que este blog não é outdoor, mas não queria deixar de avisar aos amigos leitores que gostam de ópera, ou que querem dela se aproximar, que neste mês se lançou a série &#8220;Tesouros da Ópera&#8221;, uma coleção muito interessante, à venda nas bancas de jornal. Cada fascículo, em capa dura, vem com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu sei que este blog não é outdoor, mas não queria deixar de avisar aos amigos leitores que gostam de ópera, ou que querem dela se aproximar, que neste mês se lançou a série <a href="http://www.tesourosdaopera.com.br/">&#8220;Tesouros da Ópera&#8221;</a>, uma coleção muito interessante, à venda nas bancas de jornal. Cada fascículo, em capa dura, vem com um texto sobre a história da peça apresentada, assim como o libreto bilíngüe e o CD da ópera. O trabalho visual é muito, muito legal. Tudo num capricho para aplaudir de pé. </p>
<p>Não deixem escapar. </p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contraplatitude.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contraplatitude.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contraplatitude.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contraplatitude.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contraplatitude.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contraplatitude.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contraplatitude.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contraplatitude.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contraplatitude.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contraplatitude.wordpress.com/205/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contraplatitude.com&blog=3562352&post=205&subd=contraplatitude&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Uma conversa com Ferran Adrià</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 18:49:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Aqui neste link da New York Public Library tem diversas gravações (algumas em video, todas em audio) de debates com personalidades interessantes, a maioria intelectuais. A última foi com o chef Ferran Adrià. Há tempos postei aqui algo sobre um amigo que esteve no El Bulli, o restaurante dele. Disse que foram 25 pratos! Uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Aqui <a href="http://www.nypl.org/research/chss/pep/audio.cfm">neste link</a> da <em>New York Public Library</em> tem diversas gravações (algumas em video, todas em audio) de debates com personalidades interessantes, a maioria intelectuais. A última foi com o chef Ferran Adrià. Há tempos postei aqui algo sobre um amigo que esteve no El Bulli, o restaurante dele. Disse que foram 25 pratos! Uma experiência fascinante, aposto. É muito interessante ouvir como Adrià passa 6 meses estudando a comida que vai servir no El Bulli (O El Bulli só abre de maio a outubro). </p>
<p>Eu tenho um parente que fica furibundo quando ouve falar no nome de Adrià. Conta ele que no final de 2006 ele ligou para o restaurante para fazer uma reserva, e disseram-lhe que deveria ligar a patir de 2 de janeiro do ano seguinte, era o primeiro dia para fazer reservas para 2007. Ele ligou <strong>no 2 de janeiro</strong>, e quando conseguiu falar com o restaurante, lhe disseram que não tinham mais reservas para o ano inteiro! </p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contraplatitude.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contraplatitude.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contraplatitude.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contraplatitude.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contraplatitude.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contraplatitude.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contraplatitude.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contraplatitude.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contraplatitude.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contraplatitude.wordpress.com/196/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contraplatitude.com&blog=3562352&post=196&subd=contraplatitude&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Who the Hell is Murilo Antonio Carvalho?</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/10/14/who-the-hell-is-murilo-antonio-carvalho/</link>
		<comments>http://contraplatitude.com/2008/10/14/who-the-hell-is-murilo-antonio-carvalho/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2008 00:53:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[O prêmio LeYa, no valor de 100.000,00 Euros (aproximadamente R$ 300.000,00), foi concedido a um brasileiro de nome Murilo Antonio Carvalho. 
À parte o fato de que ninguém tem a menor informação sobre o dito cujo, eu fiquei imensamente feliz com essa notícia. Já considero o Prêmio LeYa a premiação mais interessante e mais séria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O prêmio LeYa, no valor de 100.000,00 Euros (aproximadamente R$ 300.000,00), <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1346039">foi concedido</a> a um brasileiro de nome Murilo Antonio Carvalho. </p>
<p>À parte o fato de que <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/googlando/">ninguém tem a menor informação </a>sobre o dito cujo, eu fiquei imensamente feliz com essa notícia. Já considero o Prêmio LeYa a premiação mais interessante e mais séria que há no mundo lusófono (além de ser a mais rica). Ao conceder o prêmio a um total desconhecido, provou que a obra &#8212; somente a obra &#8212; foi objeto de avaliação. </p>
<p>Recebam os organizadores do LeYa os meus parabéns. Que o prêmio tenha vida longa. </p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contraplatitude.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contraplatitude.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contraplatitude.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contraplatitude.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contraplatitude.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contraplatitude.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contraplatitude.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contraplatitude.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contraplatitude.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contraplatitude.wordpress.com/194/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contraplatitude.com&blog=3562352&post=194&subd=contraplatitude&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Eu quero ser pobre de espírito (Republicado)</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/10/13/eu-quero-ser-pobre-de-espirito-republicado/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2008 01:01:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Jornais]]></category>

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		<description><![CDATA[       Pela octogésima terceira vez leio alguém condenando determinadas pessoas por serem “pobres de espírito”. Desta vez foi um articulista do jornal O Globo. Exprobrava violentamente os parlamentares da República, entre cujos defeitos figurava sua pérfida “pobreza de espírito”. 
Talvez o articulista ache que o pobre de espírito é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>       Pela octogésima terceira vez leio alguém condenando determinadas pessoas por serem “pobres de espírito”. Desta vez foi um articulista do jornal O Globo. Exprobrava violentamente os parlamentares da República, entre cujos defeitos figurava sua pérfida “pobreza de espírito”. </p>
<p>Talvez o articulista ache que o pobre de espírito é o sujeito que tem um espírito pobre. Compreendo.<br />
Mas observo que, na verdade, pobreza de espírito é uma coisa boa, positiva, salutar, benéfica e que deve ser praticada. Quem recomenda isto é o próprio Cristo, no Sermão da Montanha (Mt, 5,1): </p>
<p>“Vendo Jesus aquela multidão, subiu a um monte e, tendo-se sentado, aproximaram-se dele os seus discípulos. E ele, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: </p>
<p>Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.”</p>
<p>	O pobre de espírito é o sujeito que, pobre ou rico, ou apesar de rico, tem o espírito <strong>desprendido</strong> das riquezas materiais. Este é o sentido da expressão, tantas vezes ressaltado por Santo Agostinho. Só por uma apropriação indébita da expressão é que a primeira bem-aventurança vai agora utilizada para a execração dos maus. </p>
<p>Recomendo vivamente aos parlamentares da República que, se forem realmente pobres de espírito, mantenham-se agarrados a essa pobreza tal qual um Renan Calheiros à presidência do Senado. E se não forem, queiram sê-lo.  </p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contraplatitude.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contraplatitude.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contraplatitude.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contraplatitude.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contraplatitude.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contraplatitude.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contraplatitude.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contraplatitude.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contraplatitude.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contraplatitude.wordpress.com/191/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contraplatitude.com&blog=3562352&post=191&subd=contraplatitude&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Notas dominicais</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/10/12/notas-dominicais-3/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 17:14:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Irrelevâncias]]></category>

		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Para celebrar meu aniversário, recebi ontem três casais de amigos para um almoço. Foi batuta. Iniciamos petiscando pétalas de alcachofra no azeite de ervas e salgada com fleur de sel além de um paté-mousse en croute de codorna para acompanhar o espumante. O queijo boursin foi devorado em poucos minutos. Depois, servi um clássico, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Para celebrar meu aniversário, recebi ontem três casais de amigos para um almoço. Foi batuta. Iniciamos petiscando pétalas de alcachofra no azeite de ervas e salgada com <em>fleur de sel</em> além de um paté-mousse <em>en croute</em> de codorna para acompanhar o espumante. O queijo <em>boursin</em> foi devorado em poucos minutos. Depois, servi um clássico, um <em>roast beef</em>, simples e delicioso, acompanhado do bom e velho arroz com feijão e batatas <em>chips</em> (feitas em casa, não era Pringles não). O vinho foi um Bacalhôa impávido e colosso, com aquele final longo e sedoso, que encantou os convidados. Pediram mais e mais lhes foi dado, para acompanhar a torta de avelã e o queijo holandês, este &#8212; coitado &#8212; foi-se também em poucos minutos. Ao final, fumamos um charuto eu e um de meus amigos, que trouxera uma garrafa de Courvoisier, a qual foi devidamente aberta e servida para acompanhar o tabaco. Já eram nove horas da noite quando os últimos convidados se foram, ébrios e felizes, como eu, para dormir o sono de Baco. </p>
<p>*   *   *</p>
<p>Ganhei de presente a &#8220;Antologia Pessoal&#8221; de Jorge Luis Borges. Embora eu tenha dezenas de livros na fila de espera, eu não resisti ao apelo e já coloquei o Borges na minha cabeceira. Só de folhear o livro já me deu água na boca. Que Borges não tenha ganhado o Nobel ficará para sempre, sempre, sempre como uma mancha negra na história da Academia sueca.  </p>
<p>*   *   *</p>
<p>Falando em Nobel, este ano ganhou o Le Clézio. Nunca li. Tentarei dar-lhe uma chance. Estou meio atrasado na leitura dos autores recém premiados. Quero ler o Weyergans, quero ler o Banville. Haverá tempo? </p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contraplatitude.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contraplatitude.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contraplatitude.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contraplatitude.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contraplatitude.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contraplatitude.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contraplatitude.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contraplatitude.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contraplatitude.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contraplatitude.wordpress.com/189/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contraplatitude.com&blog=3562352&post=189&subd=contraplatitude&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Virando a última página de um grande livro</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/10/10/virando-a-ultima-pagina-de-um-grande-livro/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 02:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de meses intercalando sua leitura com a de outros livros, virei ontem a última página de Anna Karenin. É sensacional virar a última de 900 páginas de um romance, e mais ainda quando é a última página daquele que alguns consideram o maior romance de todos os tempos. É claro que o livro merece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Depois de meses intercalando sua leitura com a de outros livros, virei ontem a última página de Anna Karenin. É sensacional virar a última de 900 páginas de um romance, e mais ainda quando é a última página daquele que alguns consideram o maior romance de todos os tempos. É claro que o livro merece uma &#8220;Nota Crítica&#8221;, e acho que vale separar um tempo para escrevê-la. Mas eu não consigo parar de pensar numa coisa&#8230; É que, embora o livro seja profundamente interessante, quanto mais eu leio Tolstoy mais e mais eu reforço a minha opinião: Dostoevsky é imbatível. Imbatível. </p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contraplatitude.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contraplatitude.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contraplatitude.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contraplatitude.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contraplatitude.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contraplatitude.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contraplatitude.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contraplatitude.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contraplatitude.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contraplatitude.wordpress.com/187/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contraplatitude.com&blog=3562352&post=187&subd=contraplatitude&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Do paladar e outros sentidos</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/10/04/do-paladar-e-outros-sentidos/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Oct 2008 17:33:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Irrelevâncias]]></category>

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		<description><![CDATA[É interessante como nós amadurecemos o nosso paladar ao longo da vida. Você já viu alguma criança gostar de pimenta? Ou de azeitona? Lembro-me bem de ter horror a azeite quando pequeno. Não gostava de alcachofra! 
Foi num almoço outro dia que pude refletir um pouco sobre a educação do paladar e dos sentidos em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>É interessante como nós amadurecemos o nosso paladar ao longo da vida. Você já viu alguma criança gostar de pimenta? Ou de azeitona? Lembro-me bem de ter horror a azeite quando pequeno. Não gostava de alcachofra! </p>
<p>Foi num almoço outro dia que pude refletir um pouco sobre a educação do paladar e dos sentidos em geral. Meu amigo fez cara de nojo quando sugeri, como entrada, umas ostras no bafo para acompanhar o espumante que bebíamos. Meu amigo tinha a minha idade, seus trintanos, mas continua um pré-adolescente em matéria de paladar. Ele reage a novidades gastronômicas com o medo ingênuo de um infante, não com a curiosidade voluntária de um adulto.  </p>
<p>O processo de educação gustativa me aconteceu de modo inconsciente até certa altura da vida. Havia alimentos de que não gostava, e de repente passei a gostar. Às vezes porque, convidado a um jantar, fui forçado a comer alguma coisa, em respeito à convenção das salas, e descobri que não era ruim: era bom!  </p>
<p>Mas este processo tornou-se-me mais interessante quando resolvi incluí-lo intencionalmente no meu programa de aprendizados, tal como faço com os livros. </p>
<p>Outro dos sentidos que incluí no meu programa de aprendizado é a audição. Até o começo da adolescência eu só tive ouvidos para o rock. Depois descobri os discos de jazz da minha mãe, ela tinha todos os Bill Evans e os Miles Davis. Fui me deixando seduzir pela beleza daquelas sonoridades, e descobri a riqueza de possibilidades que pode haver num improviso. </p>
<p>Há vários anos decidi educar-me na música clássica. É óbvio que a música clássica é superior. E eu quero aquilo que é superior. Precisava aprender-lhe a beleza, a riqueza e a sofisticação. Hoje colho os frutos deste aprendizado. </p>
<p>Mas tenho muito a caminhar. Há meses, pendurei na minha sala o quadro com a imagem de Richard Wagner, que pertenceu a meu avô (Se meu avô, que possuia uma biblioteca de 10.000 volumes, tinha tamanho gosto por livros, como eu tenho, então seu gosto por ópera também deve combinar comigo). Estou a entrar na fase da ópera. Ainda não posso dizer que gosto <em>profundamente </em>de ópera, mas chegarei lá. É questão de tempo. E de educação. </p>
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		<item>
		<title>Chesterton e o cristianismo de intuições (Republicado)</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/09/29/chesterton-e-o-cristianismo-de-intuicoes-republicado/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 00:57:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ler Chesterton é prazeroso por diversas razões. Ele tem o talento literário, a capacidade de contar histórias despretensiosas e construir personagens tão vivos e interessantes. Tem-no também como escritor de crônicas, tão bem confeccionadas que parecem aulas de filosofia em formato jornalístico.
Há, é claro, os famosos “witty paradox”, os paradoxos chestertonianos. Chesterton tinha muito acume [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Ler Chesterton é prazeroso por diversas razões. Ele tem o talento literário, a capacidade de contar histórias despretensiosas e construir personagens tão vivos e interessantes. Tem-no também como escritor de crônicas, tão bem confeccionadas que parecem aulas de filosofia em formato jornalístico.</p>
<p>Há, é claro, os famosos “witty paradox”, os paradoxos chestertonianos. Chesterton tinha muito acume de vista para distinguir entre duas coisas frequentemente confundidas: o bom senso e o senso comum. O que ele faz é mostrar como tantas das opiniões que em determinada época se consideravam senso comum na verdade não carregavam nenhma dose de bom senso. É o que ele demonstra, por exemplo, nas suas polêmicas com Robert Blatchford e contra as teses agnósticas de Haeckel, muito em voga na Inglaterra do início do século. (Um parêntesis: As recentes publicações de Christopher Hitchens e Richard Dawkins são apenas mais uma onda na intermitente maré ateísta e agnóstica que vive a fustigar aquelas terras). </p>
<p>Mas a qualidade que mais admiro se manifesta quando ele fala do Cristianismo. Aqui ele está no seu elemento. A força do seu raciocício e o alcance do seu argumento multiplicam-se várias vezes quando ele toma a peito a defesa da doutrina cristã. E é justamente a maneira como ele a defende que é tão interessante. Porque a linguagem de Chesterton vem completamente despojada do jargão dos Doutores da Igreja e da teologia dos manuais. Ele não usa conceitos; ele usa <em>imagens</em>. Lança mão de situações, de episódios, de narrativas, de hipóteses, tornando a leitura muito mais divertida e engraçada do que se tivéssemos lendo o Cardeal Newman. </p>
<p>As conclusões de Chesterton não são sentenças dogmáticas, mas insights, intuições magníficas daquilo que, nos Doutores da Igreja, se expressam por sentenças dogmáticas. Deixo-vos com este pedacinho de argumento de Chesterton deduzido contra os que defendiam, à sua época, a poligamia e o liberalismo sexual:</p>
<p>“Keeping to one woman is a small price for so much as seeing one woman. To complain that I could only be married once was like complaining that I had only been born once. (…) It showed, not an exaggerated sensibility to sex, but a curious insensibility to it. A man is a fool who complains that he cannot enter Eden through five gates at once”. </p>
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		<item>
		<title>Nota crítica: O Processo Maurizius de Jakob Wassermann (Republicado)</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/09/25/nota-critica-o-processo-maurizius-de-jakob-wassermann-republicado/</link>
		<comments>http://contraplatitude.com/2008/09/25/nota-critica-o-processo-maurizius-de-jakob-wassermann-republicado/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 00:45:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[	O plot de O Processo Maurizius, romance de Jakob Wassermann publicado em 1928, é simples. Maurizius, condenado a prisão perpétua por ter assassinado sua mulher, já cumpria dezoito anos de pena, quando Etzel Andergast, um garoto de dezesseis anos, filho do hábil promotor que atuou na acusação de Maurizius, resolve descobrir a verdade: seria Maurizius [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>	O plot de O Processo Maurizius, romance de Jakob Wassermann publicado em 1928, é simples. Maurizius, condenado a prisão perpétua por ter assassinado sua mulher, já cumpria dezoito anos de pena, quando Etzel Andergast, um garoto de dezesseis anos, filho do hábil promotor que atuou na acusação de Maurizius, resolve descobrir a verdade: seria Maurizius realmente a assassino? </p>
<p>       Sob essa simplicidade, porém, vai se desenrolar uma história terrível e fascinante, em que, à maneira daquilo a que Ernest Curtius chama “super-romances”, se apresentam ao leitor os conflitos fundamentais de toda uma época. Logo nas primeiras páginas isto já pode sentir-se: Etzel pergunta a um professor a respeito do assassinato, e o professor recapitula toda a repercussão do caso, lembrando o ambiente em que o crime ocorrera:</p>
<p>“A Alemanha estava, então, sob o ponto de vista moral, em presença de um dilema; era um desses momentos históricos em que se torna necessário escolher entre o levantar-se e o abaixar-se.”</p>
<p>       E que momento histórico era este? Pode dizer-se que Wassermann [1873-1934], vivendo entre a unificação do Império de Guilherme Hohenzollern e o incêndio do Reichstag, nasceu e morreu com a Alemanha da primeira metade do século vinte. Foi esse período que Wasserman retratou na sua trilogia, da qual O Processo Maurizius é o primeiro volume. </p>
<p>       Aterrorizante. Este período, principalmente a partir dos 1900, foi, numa palavra, aterrorizante: o acirramento dos nacionalismos, o alastramento dos ódios raciais, a propagação dos ímpetos revolucionários, a ignição dos antagonismos de classes, a infecção do militarismo, tudo evoluindo numa sulfurosa ebulição de sentimentos irracionais que rapidamente fariam soçobrar o Estado liberal, aquele moralista e disciplinado mundo burguês do século XIX.  </p>
<p>       A literatura dessa época, especialmente a de língua alemã, produziu magníficos retratos dessa decadência. Em 1901 Thomas Mann já pôde entreluzi-lo em Buddenbrooks; que é uma aula magnífica sobre o desgaste da moral privada oitocentista da Alemanha protestante; mais tarde o tema é novamente abordado em Os Sonâmbulos de Herman Broch e no Homem sem Qualidades de Musil, que descreve a decadência da sociedade vienense no período da monarquia dual. </p>
<p>       Mas, entre os livros mais conhecidos, nenhum condensou melhor que Maurizius todos aqueles catalizadores infernais que, agindo simultaneamente, foram dar na implosão monumental de duas Guerras Mundiais. Ninguém descreveu melhor que Wassermann o clima de desespero e o pressentimento da tragédia que contaminou a Europa.</p>
<p>       É desse pressentimento que Melchior Ghisels, personagem secundário, mas profundamente intrigante, uma espécie de Tirésias prussiano, meio sábio, meio visionário, fala ao jovem Etzel:<br />
“Um profundo e mórbido desejo de destruição se manifesta nas fileiras daqueles com maior sensibilidade para os grandes problemas. Se não se puder remediá-lo (e tenho receio de que já seja tarde), é forçoso esperar daqui a cinqüenta anos um cataclismo pavoroso que ultrapassará em horror todas as guerras e todas as revoluções que vimos até hoje”.</p>
<p>       O romance de Wassermann evoca toda este tormento civilizacional ao suscitar o tema fundamental da justiça, ou melhor, da terrível impossibilidade de se fazer justiça na terra. Wassermann especula sobre a injustiça individual e sua relação com a injustiça coletiva. Será que podemos ser inocentes numa sociedade injusta? Será efetivamente possível que uma sociedade seja justa? São as perguntas a que na mesma época Reinhardt Niebuhr respondia negativamente numa obra clássica da investigação ética, e a cuja negativa me parece que Wassermann concorreria, tal a densidade do pessimismo que permeia o romance. </p>
<p>       Henry Miller, no seu estudo sobre o livro de Wassermann, bem nota que todos os personagens do romance estão carregados de culpa. Todos eles têm gigantescos pesos sobre a consciência. Mesmo o próprio Maurizius, inocente do crime que lhe imputaram, parece admitir que sua prisão não é de todo injusta. Porque Maurizius é um pusilânime, uma alma frágil que sucumbe aos menores estímulos da concupiscência e aos impulsos mais irracionais. E a condenação deste Maurizius representa menos uma imputação pessoal do que a condenação no plano coletivo.  Esta analogia arde por todo o romance, como por exemplo neste trecho do discurso acusatório do Promotor Andergast (pai de Etzel) no tribunal: </p>
<p>“Raramente a ocasião foi tão favorável para se castigarem, na pessoa de um legítimo representante, as forças ocultas que fazem a desgraça de uma época, a morbidez de uma nação, e mesmo de um continente, e para prevenir, por meio de uma enérgica intervenção, a expansão do mal, se for verdade que não se possa curá-lo&#8230;”</p>
<p>       De fato, todos os personagens curvam-se ao peso de uma culpa, e neste aspecto é pertinente fazer um paralelo com as origens da guerra de 1914, uma calamidade de proporções absolutamente incomensuráveis e que de certa maneira ainda não terminou (vide os Balkans dos últimos vinte anos). Quem foi o culpado pela guerra? A Áustria-Hungria? A Alemanha? A França? A Inglaterra? Ora, não quero regurgitar essa velha questão, mas a resposta de Wassermann a ela parece clara: a Europa inteira é culpada. Ninguém é inocente e ninguém está em posição de julgar.  </p>
<p>       Importa falar ainda de Waremme, ou Warschauer, o personagem mais fascinante do romance. A certa altura do romance, Waschauer indaga a Etzel se tem “alguma hostilidade sistemática contra judeus”, e faz uma pergunta crucial: </p>
<p>“Você pode imaginar que alguém procure enganar-se a si próprio sobre o seu nascimento?”</p>
<p>       Essa pergunta é a chave que explica Warschauer, um judeu que renega a sua origem e se transforma em Waremme: filólogo, filósofo, poeta, aventureiro, utopista político, que “com toda paixão de que é capaz, proclama a missão mundial da Alemanha e declara que o país fatalmente morrerá asfixiado entre seus estreitos limites e perecerá sob a ação dos elementos destruidores que nutre, a não ser que se liberte por uma guerra”. Waremme é um homem de sucesso, um sedutor das platéias, que conquista a amizade dos grandes políticos e a proteção dos poderosos. Mas a transformação de Warschauer em Waremme foi um autêntico Pacto de Fausto. Waremme torna-se, na realidade, uma alma diabólica, uma sombra de si mesmo. Numa Alemanha tomada pela paixão da sua própria identidade, pela conquista da tão almejada alma nacional que os Herder e os Ficthe haviam apregoado e que Sedan e a unificação do Império haviam consolidado, Waremme é a representação mais perfeita do profundo desespero daqueles que se tornaram estrangeiros em sua terra natal. E mais que isso, em Waremme se refletem os grandes dilemas de um nacionalismo erigido em doutrina moral, loucura que atingiria o clímax naqueles tormentosos momentos do século vinte.</p>
<p>       Otto Maria Carpeaux, grande admirador do romance de Wassermann, considerava que a profunda introspecção psicológica do livro era a contrapartida, na prosa, do simbolismo praticado por Rilke, Stefan George e Hofmannsthal na poesia da época. Mas, embora notável, a exploração do plano psicológico dos personagens em Maurizius não chega ao nível de um Tolstoy e de um Dostoevsky. O romance é intensamente dinâmico, e, ao contrário do que ocorre por exemplo em  Anna Karenin, o elemento narrativo jamais se deixa eclipsar por descrições psicológicas. </p>
<p>       Essa é aliás a última qualidade que cumpre salientar no romance: depois das primeiras 100 páginas, o livro flui como um thriller, e daí em diante é impossível abandoná-lo. O único problema é tirá-lo da cabeça depois de terminamos a leitura.</p>
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		<title>Joseph Conrad no Coração do Ateísmo (Republicado)</title>
		<link>http://contraplatitude.com/2008/09/23/joseph-conrad-no-coracao-do-ateismo/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 06:33:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contraplatitude</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu conheço algumas interpretações de Heart of Darkness, o mais famoso livro de Conrad. Já ouvi dizer que o principal tema em Heart of Darkness é a crítica ao colonialismo, a decadência da civilização eurpoéia, a ambição desmesurada de poder, a exploração do homem pelo homem. Nenhuma delas está errada; mas todas subestimam, ou mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu conheço algumas interpretações de <em>Heart of Darkness</em>, o mais famoso livro de Conrad. Já ouvi dizer que o principal tema em <em>Heart of Darkness</em> é a crítica ao colonialismo, a decadência da civilização eurpoéia, a ambição desmesurada de poder, a exploração do homem pelo homem. Nenhuma delas está errada; mas todas subestimam, ou mesmo deixam escapar, um ponto fundamental, que se pode depreender do conjunto das suas idéias e dos seus personagens. </p>
<p>É preciso partir da cosmovisão ateísta de Conrad para conseguir captar o fundo mais amplo das suas preocupações. Conrad dizia-se um “aristocrata católico”. Mas esse catolicismo era apenas uma certidão de nascimento e não uma verdadeira profissão de fé. O catolicismo de Conrad é o catolicismo de Maurras, um <em>catholique athée</em> que disse de Jesus Cristo: “Je connais peu ce personnage et je ne l’aime pas”. Na realidade, Conrad era ateu. Ninguém poderá compreender-lhe plenamente a obra se não considerar que foi ele quem disse: “Faith is a myth and beliefs shift like mists on the shore”. </p>
<p>Dito isto, eu cito um trecho do ensaio de Vargas Llosa sobre <em>Heart of Darkness</em>, publicado em A Verdade das Mentiras (Arx, 2003). Diz Vargas Llosa da novela de Conrad o seguinte:</p>
<p> “Poucas histórias conseguiram expressar, de maneira tão sintética e subjugante como esta, o mal, entendido em suas conotações metafísicas individuais e em suas projeções sociais. Porque a tragédia que Kurtz personifica tem a ver tanto com as instituições históricas e econômicas que a cobiça corrompe, como com aquela propensão recôndita à ‘queda’, à corrupção moral do espírito humano, a isso que a religião cristã denomina pecado original&#8230;”</p>
<p>Vargas Llosa a meu ver chega perto de matar a charada quando diz que o livro de Conrad trata do mal e tem a ver com o pecado original. Faltou-lhe apenas atinar para o fato de que Conrad não acreditava no pecado original.  <em>Heart of Darkness</em>, na realidade trata da questão do mal justamente na ausência do pecado original. </p>
<p>Ora, acreditar no pecado original é dar ao problema do mal a solução conceitual agostiniana de privação: o mal é a escolha de um bem menor, ou por outras palavras, a renúncia a um bem maior, e em última instância, ao maior dos bens que é Deus. </p>
<p>Por isso dizia Agostinho que é “preferível a tristeza de quem sofre uma iniqüidade do que a alegria de quem a comete”. Se o mal é uma privação, quem sai perdendo é o pecador e não a vítima. Se Conrad não acreditava no pecado original, segue-se que a escolha do mal, para ele, tem certo aspecto arbitrário. Pois o homem não perde coisa alguma com o mal que pratica. </p>
<p>Este dilema fica bem evidente a certa altura de Heart of Darkness, quando Marlow descobre que Kurtz teria sido um homem culto, jornalista, poeta, pintor, e sobrevém então a pergunta: por que Kurtz escolheu o destino que o recolhia ao coração das trevas?  Entre ser um artista e pintor e ser um explorador cruel e sanguinário, Marlowe escolheria a primeira alternativa, mas a sua perplexidade decorre do fato de que a escolha tinha um caráter essencialmente discricionário. </p>
<p>A superioridade de Conrad está no fato de que ele entendia as conseqüências do seu ateísmo e pôde com isto transformar os respectivos dilemas em dramas consistentes, com personagens verossímeis completamente fechados naquele circuito da imanência que tanto lhe atormentava o espírito.   </p>
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